sábado, 15 de janeiro de 2011

Neo Genesis 50 - Entrevista Ruki *The Gazette*

Uma conversa livre sobre palavras escolhidas nas letras do single “PLEDGE”. Uma conversa variando de uma filosofia madura sobre amor a pensamentos sobre a sociedade atual e o cenário musical, e memórias de ter sido deserdado pelo pai—Ruki nos dá uma conversa franca do início ao fim.

- Falling tears – Lágrimas que caem


O que trouxe lágrimas a seus olhos ultimamente?


R:
Ultimamente, tenho assistido a novelas históricas. Um drama chamado “JIN” despertou meu interesse no Shinsengumi, mas quando li um manga lançado atualmente, “Sidooh – SHIDO”, eu chorei. De todos os mangas que li até agora, esse é o mais interessante.


Ele será lançado como anime?


R:
Não, mas se for lançado como anime, eu definitivamente quero que me permitam fazer a música tema (risos). Pessoas dentro do grupo estão continuamente sendo mortas, mas quando você está lendo, você fica tipo “Esse cara não pode morrer”, mas esse mesmo cara acaba sendo cortado e morto, e coisas assim. [Deve ser um manga deveras educativo –q]

Por exemplo, a idéia de uma existência efêmera que pode ser facilmente disseminada.


R:
Certo. Já que é Bushi, esse foi o estopim pra mim, e eu chorei quando a pessoa foi morta.[Bushido é o código de honra entre os samurais]

- I love you – Eu te amo

Para Ruki-kun, qual a diferença entre amor e paixão?


R:
Paixão é querer estar junto, abraçar um ao outro, a sensação de seus desejos te dominando – esse tipo de coisas. Pra mim, ‘amor’ é quando você vive pela outra pessoa. Querendo proteger aquela pessoa, salvar aquela pessoa – uma sensação que é meio como família, eu acho. Um simples ‘Eu te amo’ passa uma sensação mais próxima de paixão. Ver um futuro juntos, esse é um sentimento mais próximo do amor. Por exemplo, ver momentos onde eu me torno um senhor de idade e minha parceira se torna uma senhora, e estamos arrumando a casa juntos. Mesmo que hajam mentiras, é uma relação sem vergonha ou embaraço. Eu acho que mais do que receber, amor é sobre fornecer e dar.


Esse é um modo de pensar maduro, mas quando você começou a pensar assim?


R:
(risos) Me pergunto quando, eh. Mas durante “STACKED RUBBISH”, meus pensamentos eram mais afiados, então acho que meus valores eram diferentes, e com “DIM”, era, novamente, diferente— Eu não queria cantar sobre coisas que não entendia. Esse tipo de coisa teria sido refletido na letra, então a filosofia que tenho sobre amor agora é mais pronunciada em “PLEDGE”. Estar junto apenas porque você se sente só não é ‘amor’, e isso é o que tenho pensado por mais ou menos um ano, eu acho. É uma coisa mais definitiva. Por exemplo, com relação aos fãs que vem nos ver, seus pensamentos são concretos, então pode ser chamado de ‘amor’, mas se eles virem isso no futuro, é um sentimento passageiro, e talvez isso seja ‘paixão’. Mas essa é apenas a minha opinião. [Nessa resposta, na revista estava escrito como ‘STUCKED RUBBISH’ q]

- Loneliness - Solidão

Você se sente solitário facilmente?


R:
Isso mesmo. Basicamente, eu não gosto de ficar sozinho. Mas, já que sou uma pessoa independente, eu posso sair sozinho pra fazer comprar e tal – depende do dia.

Então é influenciável pelo humor. Bem, quando está se sentindo sozinho, que tipo de atitudes você toma?


R:
Quando não tenho escolha, eu chamo os staffs. Apesar de que não estou livre o suficiente pra sair por aí dizendo que estou solitário e coisas assim, e por outro lado, quando estou cansado, eles me fazem companhia. Mesmo se eu estiver reclamando. Não dá pra evitar de minhas reclamações se acumularem.

Você é do tipo que alivia o stress falando.


R:
É isso, hein. Tipo, se há algum problema, sou do tipo que não vai querer fazer como está. Mesmo durante turnês, se for apenas uma viagem entre o hotel e a casa de show, fica sufocante pra mim. Por causa disso, quero sair pra comer antes e depois do show. Quero estar ligado a um monte de lugares, então quero sair o mais frequentemente que puder.

- The Same Dream – O mesmo sonho


Quais são alguns dos sonhos que a banda tem?


R:
Quais são, eh. Ultimamente, porque nossos sonhos estão no Tokyo dome, não há nada em particular para o futuro próximo. Por exemplo, “Queremos que nosso CD venda”, “queremos ser mais famosos” etc, não temos mais esse tipo [de sonhos]. Bem, não exatamente, no que se refere a nossas imagens desejadas, claro que queremos ser mais famosos, mas queremos chegar a perfeição mais do que a fama.

Perfeição?


R:
Claro que com as músicas e shows, nós queremos uma frente mais visual, e a arte dos CD’s— todos nós queremos que tudo seja criado perfeitamente. Temos tentado fazer isso o tempo tooodo, então talvez esse seja nosso sonho. Sempre tivemos 100 objetivos sem um ponto específico no tempo, e é mais como “Até onde nós continuaremos?”. Já que manter um status estático não é bom, sempre quisemos continuar com uma paixão flamejante.

- Destroy - Destruir

Algo que você queira destruir agora?


R:
Me pergunto o que, hm…? Pra mim, até agora e durante toda a vida, eu não quis mudar a sociedade, e humanidade, e um monte de coisas diferentes? Entretanto, agora, sinto como se estivesse caminhando por uma estrada que não gosto paticularmente. Tipo, pegue roupas como exemplo, eu prefiro algo prático do que de marca, macarrão instantâneo do que macarrão de verdade. Não consigo expressar muito bem, mas não é criatividade e não é uma paixão flamejante, apenas não sinto a impetuosidade. Não estou procurando pela coisa genuína, e há muitas pessoas fazendo-a, mas eu não cheguei perto de sentir isso. Com música também— Eu sinto que procuro por coisas que possam ser facilmente entendidas, e me apego a elas, infelizmente. Parece que é o caso do iPhone no exterior, não é como se as pessoas estivessem se apresentando a coisas novas realmente rápido? Comparado a isso, o Japão defende o conservadorismo.

Me pergunto se é porque vivemos num ambiente que torna difícil o nascimento e criação de coisas novas.


R:
Mesmo que a coisa seja notada, se torna obsoleta realmente rápido. Mais ou menos assim pra coisas boas, onde os modismos se focam e, depois de usa-las por apenas um momento, são jogadas fora e desaparecem. Eu quero destruir esse tipo de sistema.

- Control - Controle

Também há muitas coisas que você está tentando controlar no meio da turnê?


R:
Cuidar da minha voz e coisas assim— há muitas coisas. Eu sempre tento ter o controle durante os shows. As coisas de dentro e de fora. Meus MC’s ultimamente tem pendido pro lado comum.


O MC do show de Nara também foi bastante interessante.


R:
Ultimamente, eu tenho esse tipo de sensação o tempo todo, mas eu sou o tipo de pessoa que continua indo em frente— canções são canções, MC’s são MC’s, eu tenho esse tipo de distinção entre eles. Como esperado, um dos pontos dos MC’s é que também há pessoas que elevam a tensão, ao falar sobre certas coisas parece que estou fazendo algum tipo estranho de propaganda e é como se mentisse para nosso público, então você pode falar apenas as coisas necessárias, mas o MC, na minha opinião, também é entretenimento.


Dentro do contexto da turnê, você quer controlar sua comunicação?


R:
Certo. Há momentos em que perco minha própria tensão, ou quando me distraio com algo. Mas, mesmo assim, eu não mostro, e tento me recuperar disso.

- Scorched - Gravado

Qual memória você tem gravada e não consegue se livrar?


R:
Tem muitas, mas eu me lembro dessa vez quando meu pai ficou bravo no passado. Quando ele encontrou as cinzas de quando eu fumava escondido em meu quarto, logo depois que voltei pra casa, fui chutado pela porta da frente (risos). Depois disso, fui deserdado até quando estava com mais ou menos 20 anos. Naquela época, já que não tinha voltado pra casa por um tempo, meu quarto havia ficado todo bagunçado, e eu pensei “Eh?” quando vi uma longa folha de papel de caligrafia sobre minha cama. Algo entre as linhas de “Você não pode mais entrar nessa casa, nossos laços familiares estão cortados” estava escrito verticalmente e formalmente ali. Depois disso, eu saí de casa e assim não podia encontrar meus pais cara-a-cara mesmo se eles morressem. Por causa disso, eu não tinha um lar pra morar por um tempo, mas alguns anos depois, meus pais ligaram pro nosso escritório e falaram algo como “Estaremos sob seus cuidados”. Disseram pra eles ligarem para nosso empresário da época, e nos reconciliamos, mas nosso primeiro encontro depois de muito tempo foi no show do Shibuya AX [o Judgement Day]. Naquela época, meu pai viu meu show pela primeira vez e chorou. Foi um pouco emocionante.

Parece uma história sobre laços entre homems, eh~.


R:
Se isso for impresso, eu vou receber outra ligação, sabe. Eles vão dizer “Você não deveria ser tão específico, e não saia por aí dizendo esse tipo de coisas” e tal (risos).

-FIM-


Créditos:
Inglês:
Mou-Ichido
PT-BR:Marble Hell 

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